Pela vida das mulheres: Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio

No dia 04/02/2026, o Brasil deu um passo institucional relevante com a assinatura do Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio. A iniciativa reúne Executivo, Legislativo e Judiciário em um compromisso formal de combate à violência estrutural e sistemática contra as mulheres.

O pacto surge em um contexto alarmante. O ano de 2025 registrou 1.470 feminicídios — média de quatro mulheres assassinadas por dia no país. Os números escancaram a urgência de políticas coordenadas e permanentes.


O que prevê o Pacto?

O documento estabelece atuação conjunta e articulada entre os três Poderes, respeitando suas atribuições constitucionais.

Entre os pontos centrais, destaca-se o fortalecimento da articulação com Ministérios Públicos e Defensorias Públicas, reconhecendo o acesso à justiça como eixo essencial de proteção às vítimas.

A iniciativa também propõe:

  • Integração de dados e políticas públicas;
  • Aperfeiçoamento legislativo;
  • Capacitação institucional;
  • Monitoramento contínuo das ações.

A desigualdade institucional como parte do problema

O pacto também reconhece que o enfrentamento da violência passa pela transformação interna das estruturas de poder.

Embora a igualdade de gênero esteja prevista na Constituição Federal desde 1988, ela ainda não se reflete plenamente na composição institucional.

Atualmente:

  • Apenas 18,1% da Câmara dos Deputados é composta por mulheres (93 parlamentares);
  • No Senado Federal, elas representam 19,8% (16 senadoras).

A sub-representação feminina impacta diretamente a formulação de políticas públicas e a priorização de agendas de proteção.


Comitê Interinstitucional de Gestão

Por meio de decreto, foi instituído o Comitê Interinstitucional de Gestão, responsável por:

  • Avaliar a implementação do Pacto;
  • Elaborar relatórios periódicos;
  • Monitorar avanços e desafios;
  • Propor ajustes estratégicos.

O acompanhamento permanente é essencial para evitar que o pacto se reduza a um compromisso simbólico.


Compromisso formal não basta

O Pacto Brasil entre os Três Poderes representa uma afirmação política importante: o feminicídio deve ser tratado como prioridade de Estado.

Contudo, compromissos institucionais precisam se traduzir em:

  • Orçamento adequado;
  • Fiscalização contínua;
  • Responsabilização efetiva;
  • Implementação concreta nos estados e municípios.

A proteção da vida das mulheres exige mais que declarações — exige ação estruturada e permanente.


Conclusão

O enfrentamento do feminicídio demanda coordenação institucional, mudança cultural e compromisso político real.

A assinatura do pacto é um passo relevante. O desafio agora é sua execução concreta.

📲 Se você ou alguém próximo vive situação de violência ou ameaça, buscar orientação jurídica especializada pode ser decisivo para a proteção e responsabilização do agressor.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Fale conosco!